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Primeiros clones de vaca desenvolvidos no Brasil devem nascer ano que vem
Jornal: O GLOBO - 13/02/1999

Brasileiro escreve a primeira tese acadêmica sobre clonagem na América Latina

Um pesquisador brasileiro é o autor da primeira tese acadêmica sobre clonagem de mamíferos publicada na América Latina. A tese do professor de veterinária Luis Mauro Queiroz mostra a eficiência do método usado para produzir a ovelha Dolly na obtenção de clones de embriões de vacas. Porém, diferentemente dos cientistas escoceses que criaram Dolly a partir do DNA de um animal adulto, o Brasil por enquanto planeja clonar embriões. Uma equipe da Embrapa pretende implantar os primeiros embriões clonados em mães de aluguel este ano e espera para o ano 2000 o nascimento dos primeiros clones do Brasil, bezerros da raça nelore.

Objetivo é capacitar mais cientistas no país

A tese de Queiroz é o primeiro fruto do empenho de cientistas da Embrapa e da Universidade de São Paulo (USP) em capacitar no país um número suficiente de pesquisadores para trabalhar com clonagem e outras técnicas avançadas de biotecnologia. Com o domínio desse tipo de tecnologia, o Brasil poderá reproduzir animais ameaçados de extinção, melhorar a qualidade dos rebanhos nacionais e desenvolver clones de animais transgênicos com valor comercial, como aqueles geneticamente modificados para terem, por exemplo, proteínas humanas ou darem mais leite.

- Os genes serão uma espécie de moeda do futuro. Precisamos formar gente para não ficarmos para trás - diz Rodolfo Rumpf, um dos orientadores da tese de Queiroz e coordenador de Reprodução Animal do Centro Nacional de Pesquisas de Recursos Genéticos e de Biotecnologia da Embrapa (Cenargen), em Brasília.

Queiroz, que é professor da Faculdade Integrada do Planalto Central (Fiplac), em Brasília, desenvolveu a tese no Cenargen, sob orientação de Rumpf e de José Antônio Visintin, da Faculdade de Veterinária da USP.

Apresentada oficialmente na quinta-feira, na USP, a tese mostrou que os cientistas estão no caminho certo para produzir clones. O método usado é muito semelhante ao criado por Ian Wilmut e sua equipe do Instituto Roslin, na Escócia. Os cientistas da Embrapa e da USP, todavia, almejam clonar embriões, um processo mais simples e já realizado nos Estados Unidos e na Europa.

- Usamos a metodologia clássica de transferência nuclear, isto é, transferimos o núcleo de células do embrião que se deseja clonar para o citoplasma de óvulos, cujos próprios núcleos foram removidos - explica Queiroz.

Embrapa já obteve dezenas de embriões clonados

Clonar embriões é mais fácil do que clonar animais adultos porque as células embrionárias já são naturalmente programadas para se desenvolverem e formarem um animal completo. As células de adultos, no entanto, já são diferenciadas. Cada uma tem seu papel, que pode ser formar os ossos, o cérebro, o coração ou qualquer outro órgão do corpo. Para criar um clone de adulto, os cientistas precisam fazer com que o DNA (código genético) esqueça que pertence a uma célula com papel específico e passe a se comportar como o de uma célula nas primeira etapas de formação do embrião, quando todos os tipos de células necessários a um animal são formados.

O estudo de Queiroz foi realizado com embriões de gado nelore, a raça de bovino mais comum no Brasil. Segundo ele, o Cenargen já obteve dezenas de embriões de vacas nelore clonados. Porém, eles ainda não foram transferidos para mães de aluguel, o que deve acontecer nos próximos meses.

Embora os estudos estejam sendo realizados com vacas nelore, principal raça do rebanho nacional, o primeiro alvo de clonagem da Embrapa em maior escala serão raças domésticas brasileiras em vias de extinção. Entre elas estão os bois pantaneiro, crioulo-lageano e curaleiro; e raças brasileiras de pequenos ruminantes (cabras e ovelhas).

- Neste momento, para nós o mais importante é o domínio da técnica. Só assim poderemos tornar a clonagem viável no país - diz Rumpf.

De acordo com ele, existem hoje no Brasil três laboratórios dedicados à clonagem animal. Além da USP e da Embrapa, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) também tem um laboratório desses, coordenado por Joaquim Garcia, em Jaboticabal.

Jornal: O GLOBO / Autor: Ana Lúcia Azevedo
Editoria: Ciência e Vida / Tamanho: 669 palavras
Edição: 1 / Página: 23
Coluna: / Seção:
Caderno: Primeiro Caderno


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