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Brasil testa células-tronco contra diabete
Jornal: O GLOBO - 02/12/2004

De quatro pacientes que receberam o tratamento, três apresentaram melhora e deixaram de tomar insulina

 

Cientistas brasileiros deram mais um passo significativo no desenvolvimento de terapias com células-tronco maduras. Um grupo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, coordenado pelo imunologista Julio Voltarelli, começou a testar com sucesso o uso dessas células no tratamento da diabete. Segundo ele, é a primeira vez no mundo que se testa a terapia celular para a doença.

O teste de fase 1 (para averigüar a segurança do tratamento) começou no início deste ano e vai envolver 12 pacientes. Até agora, quatro pessoas em estágios iniciais da doença receberam o tratamento. Três delas apresentaram melhora considerável e deixaram de tomar insulina.

- Veja bem, não estou falando em cura - frisou Voltarelli, que participou ontem do seminário "Células-tronco e Terapia Celular", na UFRJ. - Estou dizendo apenas que o sistema imunológico dessas pessoas parou de destruir as células produtoras de insulina e que, por isso, elas não precisam receber a substância.

De acordo com o especialista, os pacientes ainda estão sendo acompanhados para que se avalie se a situação vai perdurar.

Antes da terapia, sistema imunológico é destruído

A diabete ocorre quando, em razão de um problema, o sistema imunológico passa a atacar as células do organismo responsáveis pela produção de insulina - um hormônio importante no metabolismo dos açúcares. A terapia desenvolvida pelo grupo de Voltarelli consiste, inicialmente, em destruir o sistema imunológico deficiente.

- Fazemos isso usando quimioterapia ou imunoterapia - explicou.

O segundo passo é fazer o transplante de células-tronco. Retiradas da medula do próprio paciente, as células são injetadas uma única vez, em sua jugular. Como são células primitivas, capazes de criar todos os tecidos do corpo, a idéia é fazer com que elas reconstituam o sistema imunológico do paciente.

- O paciente não nasceu com a doença, ele a desenvolveu ao longo da vida, então é como se voltássemos no tempo - resumiu Voltarelli.

O grupo de Ribeirão Preto desenvolve ainda terapias celulares contra esclerose múltipla e doenças reumáticas, condições também decorrentes de problemas no sistema imunológico. No caso da esclerose múltipla já foram testados 30 pacientes em estado grave, que não apresentavam resposta ao tratamento convencional.

- Nesse caso, não se trata de uma terapia inédita. Reproduzimos um procedimento de outros países - ressaltou o especialista. - De dois terços a três quartos dos pacientes apresentaram estabilização na progressão da doença ou mesmo melhora.

O procedimento envolve também a destruição do sistema imunológico e a posterior injeção de células.

- Estamos constatando uma regeneração das células sangüíneas e do sistema imunológico - disse o médico.

O próximo passo do grupo é testar a terapia para esclerose lateral amiotrófica, doença para a qual não há cura.

Jornal: O GLOBO / Autor: Roberta Jansen
Editoria: Ciência e Vida / Tamanho: 476 palavras
Edição: 1 / Página: 44
Coluna: / Seção:
Caderno: Primeiro Caderno

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